A dentista Jaqueline do Nascimento, 27 anos, está em preparação para concorrer ao doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A moradora de Assaré, no interior do Ceará, é autista, mas nunca deixou que o preconceito a limitasse. Ela já possui um diploma da instituição, conquistado após concluir a distância um curso de farmacologia.
O sonho de estudar presencialmente na instituição na cidade de Cambridge, no estado de Massachusetts, recebe o apoio de tutores brasileiros e estrangeiros. O objetivo é conseguir a aprovação no ano que vem.
"Eu recebi uma bolsa para um curso a longa distância de farmacologia na Harvard Medical School, então, eu já fiz esse curso e atualmente eu estou me preparando, junto a alguns mentores que estão me auxiliando — tanto dos EUA quanto brasileiros — para o doutorado na área de prótese. Um dos meus objetivos é que seja na Harvard School of Dental Medicine, no ano de 2022", explica Jaqueline.
Estudar como refúgio
Apesar da superação encontrada nos estudos, a mãe de Jaqueline revela que, na infância, a família passou por situações complicadas antes do diagnóstico de autismo.
"Quando ela tinha dois anos ela era muito chorona. Eu me preocupava porque eu não sabia o que ela tinha. Até os dois anos ela não falava, eu percebia que ela era um pouco nervosa", relembra Maria Eunice Alves.
"Eu passei por situações que não foram muito agradáveis, tanto no ensino médio, quanto na faculdade, mas que eu sempre procurei rebater tudo isso com meus conhecimentos, meus estudos; sempre focando no potencial de como eu poderia impactar as pessoas com o que tem dentro de mim", afirma Jaqueline. (g1/ce)
